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Urutau
 


Virgem por acaso

 

é o que Albertine conta a seu marido Fridolin ter sido sua condição quando casara, por falta de interesse por quem se apaixonara, antes do marido. Tudo isso ocorre no início do livro Breve romance de sonho (Companhia das Letras, 2000), literatura de língua germânica, de Arthur Schnitzler (Viena, Áustria, 15/05/1862 - Viena, 21/10/1931).

É uma história na qual vai se mergulhando enfeitiçado, na qual vão se aliando detalhes típicos como “o perfume suave das florestas distantes” na Viena de meados do século XX. A narrativa se mantém em permanente clima beirando o clímax sexual de um sonho erótico, no qual nunca chega o orgasmo.

O médico Fridolin, depois da revelação inicial de Albertine (imagine esta confissão no ano de 1926, quando Roque Gonzales era mata escura, povoada de riachos cristalinos!), vai percorrer as ruas, procurando viver novas aventuras, para não precisar voltar logo ao lado de sua esposa.

Neste itinerário, Fridolin vai atender ao chamado que interrompera o diálogo com Albertine, indo ver um paciente em estado terminal. Lá chegando, descobre que este viera a falecer. A filha órfã, moça magrela e tuberculosa, revela que se apaixonara pelo médico, o qual  sente-se atraído e afaga a moça.

Providenciadas as questões legais do óbito (veja-se a analogia entre Vida x Morte!), ele retorna para a rua nebulosa e cruza por solitários caminhantes, que o provocam para uma briga. Ele que já se batera em duelo pela honra fica acovardado e prossegue cabisbaixo, na tardia hora noturna.

A narrativa prossegue, agora num ritmo trepidante, impossível de largar o livro antes de seu ápice final. O médico vai tomar café num bar na madrugada e encontra conhecido seu, dos tempos de estudos, músico, que lhe segreda misteriosas reuniões entre homens e mulheres mascarados. O doutor não resiste a tentação de participar. Compra numa loja que permanece atendendo estranhos clientes nestas tardias horas. O clima onírico se explícita, gruda, encharca os poros de Fridolin.



Escrito por Nheçu às 02h06
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Alugado o disfarce, ele segue a carruagem fúnebre com seu amigo músico. Chegando a mansão, ele ingressa sob uma senha, encontrando integrantes da alta sociedade e da nobreza vestidos como monges e freiras mascarados, que ensaiam bailados, ao compasso de músicas inebriantes e eróticas, um passo para que as mulheres dispam suas roupas, permanecendo apenas com as fantasias no rosto.

É o desejo de possuir uma delas que faz Fridolin persistir naquele diabólico recinto. A ignorância da 2a senha o faz ser expulso daquela ordem secreta, após o oferecimento ao sacrifico da mulher com quem ele dançara.   

No dia seguinte, a realidade brumosa se torna palpável, com a notícia de fatos que aconteceram, pessoas envolvidas nele desaparecem, quando não estão internadas em hospitais ou mortas nos necrotérios, aos quais Fridoloin, por ser médico, tem acesso furtivo na meia-noite (!), se abraçando a um cadáver de mulher, que ele julga reconhecer ser a misteriosa dama que o defendera no casarão e se entregara às punições da ordem que mantinha tais encontros secretos.

Por não ser um autor comercial, visando apenas ao movimento da caixa registradora, Schnitzler vai escrevendo como deve ser o texto, uma narrativa envolvente que embriaga o leitor nas mentiras da ficção sabidamente irreal e, por isso mesmo, misteriosa e apaixonante!



Escrito por Nheçu às 02h05
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O livro virou o filme De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999), com Tom Cruise e Nicole Kidman (nas fotos o casal e capa do CD), com direção de Stanley Kubrick

Entretanto, Kubrick modifica a história, que vai do baile de máscara em período carnavalesco, para o Natal, o cenário da cidade de Viena vai para Nova Iorque. Aumenta o ciúme entre o casal, aumenta a nudez na Mansão dos Mortos, sugerida no livro e agora de sexo quase explicito no filme, além da predominância dos tons vermelho e negro.

A senha para Fridolin entrar na mansão do livro é Dinamarca, país onde Albertine se apaixonara pelo homem que a poderia ter desvirginado e, no filme, ironia, é Fidelio, palavra que vem do latim “fidelis”, e significa fidelidade.

O filme tem algumas curiosidades: É uma das produções mais longas da história do cinema - quase 3 anos e o último filme de Stanley Kubrick como diretor, que faleceu durante o processo de pós-produção do filme.



Escrito por Nheçu às 05h35
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Revista Il Convivio 27

Um pouco atrasados nas resenhas deste já final de 1o trimestre de 2007, destacamos nesta edição a revista siciliana com artigo do professor Bruno Sartori sobre Immanuel Kant, colocando o alemão de forma merecida como grande filósofo da cultura ocidental. A poesia de Giuseppe Manitta, em seu livro Sul sentiero dell´upupa é analisada por Orazio Tanelli.

Os leitores são brindados coma uma extensa reportagem ilustrada com fotos da cerimônia de premiação do Premio Poesia Prosa e Arti figurative, realizada em 15 de outubro em Giardini Naxos. A revista também traz o costumeiro desfile de poesias do mundo inteiro, com predominância dos versos italianos, com capa de Armand Niquille, Le vieux Tilleul de Morat, e belíssimas ilustrações artísticas coloridas nas páginas centrais, como esta de Cetty Urso (abaixo) em Sognando Venezia e a poesia de Raluca Elena Weber, uma bela jovem universitária da Romênia, já com várias premiações internacionais em sua carreira literária.

Resenhas de livros completam esta substanciosa publicação cultural que envolve o mundo num abraço de intercâmbio e amizade!

Contatos: angelo.manitta@tin.it  



Escrito por Nheçu às 05h33
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Amores nórdicos!

Confissões (Nórdica), romance, contando as revoltas do amor, do cineasta sueco Ingmar Bergman, que além de premiadíssimo no cinema mundial, é formado em literatura e escritor através dos roteiros e do livro best-seller Cenas de um casamento. Bergmann é filho de um pastor da Igreja Luterana Sueca e Confissões, traz um prato cheio para quem quiser aprender nuances do protestantismo luterano.

Com requintes de estar dirigindo um filme, a história foi escrita em 1992 e se passa no ano de 1925, muito rica em detalhes de ambiente, da roupa das pessoas, com a narrativa sendo centralizada em Anna, mulher madura, de 36 anos, casada, com três filhos, que se apaixona por um jovem rapaz e o conduz a um caso amoroso com ela.

O livro espelha a tradição do existencialismo europeu e a história principia com o encontro de Anna com seu tio Jacob no cemitério da igreja, num domingo quente de verão. Dali é um passo para começarem as confidências, onde Anna faz suas confissões de adultério ao tio, que é pastor, assim como seu marido Henrik e também sobre Tomás, ainda estudante.

Jacob aconselha Anna: “Nós representamos muitos papéis. Alguns, poucos, porque é divertido. Outros, porque as pessoas esperam que a gente represente estes papéis. Na maioria dos casos, porque queremos nos defender.” (pp. 37-38).

Na 2a Confissão, Anna reencontra o marido Henrik, depois de quatro semanas de ausência. Começa a crise do casamento.

Após a letargia do choque decorrente da confissão do adultério, Henrik fica inconformado nos dias seguintes, até descambar em interrogatórios, reclamações, em que fica perguntando se ela ficava nua nestes momentos a sós com Tomás (estamos em 1925!), coisa vedada a ele, o marido. Anna diz que se sentia espontânea com o outro, por detestar os contatos físicos com o marido, que nunca lhe proporcionara um orgasmo em sua vida de casados.



Escrito por Nheçu às 05h31
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Na 3a Confissão, começa a inexorável deterioração da relação, com crises de nervos de parte de Henrik, agressões físicas às crianças e a ela mesma. Ele acaba esquecendo o conteúdo do sermão no púlpito da igreja e por aí afora.

Quem não é acostumado com a maneira de um europeu encarar o adultério, talvez se surpreenda com o desenlace da história. Devemos observar que a Suécia é um dos países de moral sexual mais liberal do mundo (mesmo em 1934, onde ocorre o final da história), continente palco de duas guerras mundiais, com violências as mais diversas, inclusive a prostituição de pessoas dignas por um pedaço de pão. Daí a definição de existencialismo europeu, para mim, ser mais algo como “viva e deixe viver”, mesmo com chifres na cabeça!

O livro tem um senão, que é as inserções ao passado dos personagens, péssimas para a narrativa em livro, tiram o ritmo da leitura.

A nível histórico, ficamos sabendo que no luteranismo não foi abolida a confissão, inerente ao catolicismo, mas substituída pelo “aconselhamento” do pastor. Como dissemos, é uma cartilha introdutória ao protestantismo. Coisas como Confirmação, etc. Para ser traduzido do idioma sueco, o livro necessitou de um pastor luterano.

 

O livro virou o filme

Private Confessions (1999), direção de Liv Ullmann e elenco com Pernilla August (Anna) e Samuel Froler (Henrik).



Escrito por Nheçu às 05h30
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A vida dos imigrantes alemães

Memórias de um imigrante boêmio, de Josef Uhmann (EST), tradução de Hilda Agnes Hübner Flores  (leia seu artigo na página 15), conta sobre a vida dos colonizadores alemães que vinham para o Sul do Brasil no século XIX.

A obra lança um pouco de luzes sobre a motivação que embalava o imaginário popular na Europa daquele período. Lendo o livro, se conhece um pouco daquele sofrido cotidiano e as pessoas que nele habitavam e ficavam sabendo das vantagens (e vida maravilhosa), que o Brasil oferecia.

A pobreza e a redução do mercado de trabalho com a industrialização no velho continente europeu foram, certamente, os ingredientes que mais contribuíram para trazer as levas de alemães para o Sul brasileiro.

Um mundo de sonhos se descortinava ao recém chegado, quê, munido de machado e enxada, se embrenhava na mata cerrada repleta de cipós grossos (que ninguém comentava!), procurando construir um abrigo provisório para si e sua família, fazendo logo em seguida brotar do chão os primeiros grãos de feijão.

Conta Uhmann que a maioria dos colonos queria desanimar, “quando as mãos estão feridas e cheias de bolhas. Mesmo assim, é preciso continuar o trabalho, por mais que aperte a dor. Não há outra alternativa para o pobre colono senão reprimir o sofrimento e trabalhar, trabalhar e novamente trabalhar, até que a primeira roça esteja queimada e plantada e a primeira choupana provisória erguida, de maneira que se possa pela primeira vez dormir sob teto próprio”.

O autor também aborda um hábito curioso que ainda persiste no Brasil - o ato de levar presentes e agrados para o professor(a) na escola, visando ser bem querido como aluno na hora de receber as notas escolares. É lógico que os alunos mais abonados se saiam melhor, devido ao jabazinho da maçã, da suculenta laranja, das raízes de mandioca, uma perna de salame ou de morcilha, do torresmo, etc

Naquela época, tal como hoje, muitas crianças e jovens tinham de interromper os estudos para ajudar nos serviços da lavoura em casa, como recolher pasto verde para o gado, colher espigas de milho para depois debulhar na trilhadeira e muitas outras atividades, como sentar no Pflung (arado) quando se ia na Acker (roça) para fazer a Pflanzung (plantação), para trazer comida ao tisch (mesa), se não encontrasse nenhum tier (bicho) no caminho. Depois de tudo isso, se tombava todmüde (morto de cansaço) na soleira da porta do Haus (casa).

Uhmann também cita a figura onipotente do Senhor das Terras na Alemanha, pois até para colher galhos secos para espantar o frio no inverno se necessitava de licença. É uma janela para a figura do senhor feudal. Vem daí a tradição de as moças casarem com vestido preto, pois pela tradição medieval, a primeira noite da jovem devia se passar com seu senhor e daí que este dia era de luto!



Escrito por Nheçu às 05h28
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