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Urutau
 


Dos faraós

Sinuhe, el egipcio, romance épico de Mika Waltari (Helsinque, Fin-lândia, 1908 - Helsinque, 26/05/1979), em seu livro mais famoso (1945), em edição espanhola do Circulo de Lectura, dentro do pacote de livros, doados pela Comunidad Madrid para a Biblioteca Municipal de Roque Gonzales, através do Ministério da Cultura.

O livro de 548 páginas é de leitura densa e prazerosa, desenrolada em 15 partes, ou 15 livros, que podem ser lidos como contos avulsos, dentro de uma mesma saga, a do médico Sinuhe, vivendo no Egito durante o reinado de Horemheb, faraó que antecedeu Akhenaton. Tendo que se exilar, Sinuhe, padece de angústia e, saudoso do sussurrar do vento nos caniços das margens do rio Nilo, relembra de forma amarga sua turbulenta existência.

Em Nefer, ele cai de amores por Nefer, prostituta de luxo, quê,  apesar de “vender a rabeca”, é dengosa, dizendo: “no soy una mujer depreciable, pese a que viva sola, y debo velar por mi reputación”. Apesar de todo o palavreado casto, Sinuhe dá a escritura de sua casa em troca de uma noite de amor.

Mesmo as sensações vividas não terem sido lá essas coisas, ele volta para o lado dela no dia seguinte e ela o convida a ir tomar banho na tina e, lá se vai o resto do pecúlio de pais de Sinuhé!

A queda financeira leva o médico a ir trabalhar na Casa de los Muertos. Um lugar pestilento em que se realizam as mumificações, residindo ai a originalidade da obra: descrever um cotidiano que normalmente não se encontra na literatura - o local onde se embalsamavam os senhores do Antigo Egito!

É lógico que os cadáveres dos mais pobres não davam muito trabalho por estarem a repousar, tranqüilamente, mergulhados em soluções conservantes, deixando-os secar submersos por trinta dias e depois os devolvendo às famílias.



Escrito por Nheçu às 21h01
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Já às práticas para com os ricos causavam asco a Sinuhe, pelo fato de os sacerdotes de Amon roubar as pessoas mais depois de mortas do que enquanto vivas, sendo que o preço da conservação dos mortos variava de acordo com as posses dos parentes ingênuos, já os embalsamadores também enganavam os parentes dos ilustres falecidos, dizendo utilizar inúmeros bálsamos e ungüentos caros, enquanto que utilizavam apenas uma espécie de azeite para todos os corpos. Também era repugnante a venda de partes dos corpos para os feiticeiros fazerem seus trabalhos malignos. Sinuhe se questiona o que sentiriam estes nobres quando se descobrissem pelos caminhos da eternidade a lhes faltar partes do corpo! 

O livro vem com citações que remetem a adoração do deus sol, como esta: “Amon (o sol) já atravessa o céu em seu barco dourado (parte da manhã)”.

Da cidade de Tebas, no Egito, Sinuhe parte para expedições em outros países, como a Síria e a ilha de Creta, onde se depara com os mitos daquela comunidade como o sumo sacerdote, sempre denominado o Minotauro, local onde Minea, companheira de Sinuhe nas viagens, entra em oferta de sacrifício no labirinto da Casa Escura. Sinuhe descobre que o deus ao qual o sacrifico fora destinado está morto, não existe mais, sendo o próprio sumo sacerdote Minotauro o imolador das vítimas para manter a tradição e preservar o status quo.  

Um espetáculo raro de se ver que Sinuhe menciona em “La cola de cocodrilo” é avistar um mensageiro montado a cavalo, já que um egípcio nunca o faria e os sírios, em raras ocasiões, apenas os bandoleiros do deserto, porque os cavalos são animais “violentos, que escoiceiam e mordem”. Veja-se então a docilidade e o porte digno dos camelos, os peregrinos viajantes do deserto!

Neste conto também Sinuhe conhece de vista o faraó da 18a Dinastia, Akhenatón, marido da bela e eterna rainha musa, Nefertiti, o chamado Casal Solar, criador do monoteísmo religioso (o deus único).

Também é o conto em que ele encontra a bela morena Merit, interpretada por Jean Simmons no filme (fotos). A cola de cocodrilo (rabo de crocodilo) é bebida forte, preparada pela experiente Merit, com receita secreta.

O desonesto servo Kaptah se mostra, entretanto, fiel a Sinuhe nas horas difíceis da vida. Sinuhe vive amores intensos e infelizes com belas e sensuais mulheres e decide ao final do 3o ano de seu exílio junto ao mar do Oriente escrever um livro, para contar suas recordações...     



Escrito por Nheçu às 21h00
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