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Urutau
 


Meretriz

João Weber Griebeler

 

Passos a ressoar no carpete

seus pés nus delicados

a trazem já sem corpete

para o repouso dos saciados.

 

Mulher de muitos amores

sorrisos e prazeres fáceis,

tem na noite estrelada

sua glória platinada.

 

No leito a beijo em consolo

sem pose nem maquiagem

menina carente no colo.

 

Os lábios murmuram bobagens

corpos enroscados no solo

descobrindo secretas paragens.



Escrito por Nheçu às 16h06
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Sedução de Verão

João Weber Griebeler

 

Manhã que chega cinzenta,

convidando a passear a musa,

e a banhar-se na praia deserta.

Esplêndida, nem saia ou blusa.

 

Apenas o mar como agasalho

protegendo-a do vento frio e,

que acolhe murmurando em cio,

espumando sôfrego amante-rio.

 

E se o namoro apenas começa

no primeiro e úmido beijo,

a onda vêm atrevida e enlaça

a formosa pele nua em latejo.

 

Trocando então íntimas carícias

grãos, areia e corpo devorando

em sutis e saborosas delícias

que ele, bravio, vai marolando...

 

O sol apazigua singular embate

a musa agora boceja tediosa.

Exausto, soçobrou o gigante,

rendido à sua sedução amorosa.



Escrito por Nheçu às 16h03
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Uma história que se repete

João Weber Griebeler

Vi na véspera deste Natal de 2005 uma cena que já vem sendo repetida exaustivamente há milênios: o apedrejamento contra os fracos da sociedade. Isso aqui há 50 metros da redação do Jornal Igaçaba, onde dois meninos, daquele bando do bodoque (parece que andar com pedras na mão contra os passarinhos cria mesmo o hábito da violência), passaram a atirar pedras e impropérios contra outras três crianças, cujo único mal foi o de terem nascido miseráveis e de outra cor.

Elas passeavam pela cidade ao entardecer vendo as luzes coloridas das casas comerciais quando passaram em frente a minha casa na rua Padre Nóbrega. Pensei em lhes ofertar uns chocolates, já que era véspera de Papai Noel (Cristo, dos desertos da Palestina, anda esquecido pelo trenó do capitalismo de neve e indiferença).

Quando saí à rua, notei movimentação desusada e, ao caminhar atrás das três crianças, houve um esparramo dos dois agressores que saíram correndo. Alertei os três que haviam sido alvo desta barbárie, dizendo-lhes que comunicassem outra atitude desta natureza, passível de enquadramento em crime de racismo e agressão.

Não foi, entretanto, os bombons que lhes fez brilharem os olhos, mas o amparo de alguém da sociedade que os exclui, que fez brilhar uma centelha de um futuro menos marcado pelas diferenças. Esta é a mensagem de um Natal que para mim foi algo diferente. 18/12/05, 19h00.



Escrito por Nheçu às 05h38
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Contando os limites da Aldeia

O escritor turco Orhan Pamuk (foto) foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006, da Academia Sueca da Língua, dia 12 de outubro.

Aos 54 anos, Orhan é um dos mais famosos escritores da Turquia e era um dos mais fortes candidatos ao prêmio. Durante 30 anos, tudo o que Pamuk fez foi escrever romances. Mesmo sendo formado em jornalismo, nunca exerceu a profissão. Suas obras já foram traduzidas para mais de 40 línguas, no Brasil existem duas publicadas: O castelo branco (Record, 176 pp., R$ 26), lançada em 1993; e Meu nome é vermelho (Cia das Letras, 536 pp., R$ 60,50), de 2004.

Seu novo livro no Brasil, Neve, foi lançado no dia 24/10/06, pela Companhia das Letras.

Seus leitores o conheceram pessoalmente quando esteve na Feira Literária de Parati, em 2005, ano em que também joi contemplado com o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão. Ele já teve de responder a processo judicial, acusado de “degradação dos valores turcos”, por haver dito numa entrevista que “um milhão de armênios e 30 mil curdos foram mortos na Turquia”. A União Européia protestou veementemente contra o processo no começo deste ano

O Prêmio Nobel de Literatura representa uma mensagem contra os que defendem a existência da teoria do “choque das culturas”. Foi assim que Orhan Pamuk agradeceu a escolha em conversa por telefone com representantes do Comitê Nobel. Pamuk assegurou se sentir ‘honrado’ com o prêmio, mas afirmou que o fato de ele ser o primeiro turco a receber o Nobel confere ao tema um caráter “político” que “poderia se transformar em uma carga adicional” para ele. O escritor acrescentou que “a imagem do Oriente e do Ocidente e seu choque é uma das idéias mais perigosas dos últimos anos”. Cada um dos prêmios Nobel é dotado com um valor equivalente a 1,1 milhão de euros. Eles serão entregues em Estocolmo, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel (1833-1896).

Sua premiação reflete uma maior abertura da cultura para linhas de pensamentos diferentes do que os defendidos pelo status quo, arejando os horizontes para os lados do Oriente. Desta forma, já fora premiado o egípcio Naguib Mafuz em 1988. 

O Jornal Igaçaba vem apresentando textos e autores que se enquadram nesta ótica, bem antes do Nobel ser fornecido a Orhan Pamuk.



Escrito por Nheçu às 05h36
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Código da Vinci

João Weber Griebeler

Não se chutam igrejas vazias ou fora de moda, quando é preciso escrever livros best-seller e realizar filmes de sucesso para tentar desacreditá-las, daí a explicação do sucesso de uma obra de ficção, como é o Código da Vinci.

E, quem diria, o tema tem encontrado crédulos entre o público com razoável conhecimento, como o professorado do ensino médio e universitário, além dos estudantes. Pessoas que tem como característica maior não conhecerem sequer a cor da parte interna das igrejas e a disposição do altar e dos assentos dos templos de meditação e oração.

Dia 10/07/06, eu estava esperando o buzão da Real na rodoviária de Santo Ângelo e ouvi o diálogo de uma professora universitária e sua aluna do curso de Enfermagem (católica, mas que não freqüenta a igreja). O assunto virou “religião”, estando a “mestra”, discípula do Código da Vinci, no aguardo de mais livros esclarecedores, para explicar as dúvidas de sua aluna, que relatava os “furos” da crítica especializada sobre o filme.

Ah, ambas eram fãs do Pato Donald (novamente “forte” para a criançada porquê a Xuxa o trouxe em seu programa!), do Papa-léguas e outros bichos, “pedagógicos” para o imaginário infantil. Afinal, nestes desenhos não se luta e se mata tanto quanto nos mangás asiáticos!!!

Talvez por isso se julgue normal infligir castigos psicológicos em crianças “rebeldes” da 1a e 2a séries (por não aceitarem o buçal dos “mestres”), privando-as de determinadas coisas.

Educação da chibata é o que alguns professores preconizam, infelizmente.



Escrito por Nheçu às 05h35
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