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Dica de Leitura

Dica de Leitura

Clássico instantâneo, assim pode ser resumido o livro O caçador de pipas, do afeganistês Khaled Hosseini, que, mediante uma narrativa singela e triste, narrando os traumas da meninice, fez uma obra de sucesso mundial, em poucos meses de circulação. Sem dúvida, um fenômeno literário avassalador nos cerca de 30 países em que foi publicada e já tendo o roteiro para um filme negociado com seu autor.

O segredo é simples; qualquer adulto de hoje já fez traquinagens ontem, foi alegre e triste, também foi cruel em algum momento para com os outros. Poucos sofreram em silêncio, talvez apenas os verdadeiros heróis e é assim que considero o personagem Hassan, O Caçador de Pipas, nos gelados dias dos longos invernos do Afeganistão, o autêntico herói desta narrativa.

Sua presença silenciosa é discriminada pela sociedade, por ser de uma etnia considerada inferior, mas a figura de Hassan perpassa por toda trama e emerge vitoriosa no final.

Mas, afinal, o que é um livro clássico? Clássico é uma história que se encaixa na descrição de toda a humanidade.

Quem é o Povo Hazara - Se localizam principalmente no Afeganistão, com cerca de 19% da população. São pessoas de categoria humilde e compõem a base da pirâmide social. O país é quase um desconhecido no Ocidente, sendo, entretanto, um mosaico cultural e étnico, com classificação como um dos países mais pobres do planeta, em parte devido a um longo passado de guerras e ao acidentado relevo geográfico, além do clima.

Com formação religiosa muçulmana xiita, os hazara seriam de descendência mongol e teriam vindo para o Afeganistão no século XIII.



Escrito por Nheçu às 18h36
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Os poetas morrem ao amanhecer

João Weber Griebeler

O tema que lhe inspira é uma foto de mulher. Não uma qualquer, mas ela, uma mulher única, que já servira de parâmetro para suas rimas, musa recordista da sua então repleta verve poética. Seu corpo suspenso na alcova traz a marca de uma dobra de lençol na coxa esquerda.

No desvario amassado do lençol, a prova é inconteste de que ali houvera amor, tendo por testemunha mor sua nudez!

Os espermatozóides fazem 50 km por hora, para escapar da morte estéril, em busca da vida na fecundação do óvulo fértil. Milhões perecem em cada ejaculação (ou seriam milhares?), apenas o mais apto sobreviverá e aí, começa o drama da existência de todos nós, reflete ele.

O suor do frio do copo cheio de bebida não é o sinônimo daquela pele estampada na foto, Apenas os cigarros, mornos pela fumaça se lhe parecem como os túrgidos bicos dos seios dela.

O vidro do copo transpira suor gelado, molhando suas mãos e apaziguando as batidas do coração sofrido, só acalmando no ardor da bebida o vazio tormento que toma de assalto suas insípidas noites.

Amargura que nunca acaba vira companhia constante. Sem ela, o vazio dá medo, é melhor sofrer. Pelo menos assim tem sentido suas noites. E as recordações.

Esta rotina noturna não sofre solução de continuidade, apenas se renova o conteúdo do copo. Todas as noites.

Esta madrugada, porém, tem algo diferente e o último copo proporcionado pela garrafa é também sua dose fatal.

Sempre vivera suspenso por um tênue frio desde que a conhecera, que o peso do líquido fora tornando-o aos poucos demasiado frágil para sobreviver, trazendo a aurora a fria constatação de que os poetas costumam morrer ao amanhecer, junto com sua última inspiração...

 



Escrito por Nheçu às 15h08
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Quase amor!

João Weber Griebeler

Não preciso de amor, eu preciso é ser amado, nem carinhos de favor...desliga o CD.

Tarde fria e cinzenta esta do dia dos namorados, coração angustiado, porque não telefonar?...

- Querida, sou eu!

- Quem??...

- A coisa mais importante que eu tinha a fazer hoje era ligar para você, meu anjo...

- Nossa, quase não reconheci a sua voz, Túlio!

- Túlio? Não, aqui é o beijador destes lindos olhos, das mordidas na orelhinha!

- Quê?.. Ah, é você?! O guri apressado...

- Por quê essa maldade, docinho? Você sabe que foi a emoção do primeiro encontro. Mas é aí, como vai? Recebeu as flores?

- Eram de ti? A mãe disse que estavam murchas...

- Sabe, amor, que tal nos encontrarmos para um chocolate, vinho branco, música?...

- O papai está em casa...

- Ótimo! Sou formal, a la Roberto Carlos, Júlio Iglesias! Preciso, afinal, da autorização dele para namorar você... Eu não faço amor por fazer, tem que ser muito mais que prazer, tem que ser todo dia, sem cama vazia no amanhecer, volta a lamentar-se o CD.

*   *   *

- É mais fácil do que parece! - Afirma o candidato a sogro.

A filha penteia os cabelos, exalando perfume de shampoo, ainda úmido em sua pele, pés descalços. O bordô das unhas destacando-se com a tornozeleira dourada.

- O senhor está enganado! Para mim pareceu pura como um anjo - exclama, sentindo, apesar do frio, o suor molhar sua camisa de pelúcia. “Raios” pensa, “o ponto mais erótico desta gata são os pés!”.   

- Dura, marmanjo?! Que disparate é esse? Você não entende nada. Aí, nos primeiros dez minutos de aquecimento, já tem goleada!

- Ah, sim, a seleção do Luxemburgo na Copa América de futebol...

Ela sorve o chimarrão. Cautelosa, a língua acariciando a ponta da prateada, testando a temperatura. “Tenho pavor de sapecar a goela com água fervida. Mate prá mim tem ser morno, cremoso e adocicado”, comenta com meneios do molhado cabelo, ocultando o rosto malicioso.

Toca o telefone, ela atende toda melíflua: “Ronaldinho? Que surpresa! Eeeuu faltei? Quando? Se foi bom? Mais rápido que a entrada dos russos em Kosovo!”

Nossa, o mindinho do pé dela é demais, extasia-se ele. Bem que dizem que mulher conquista-se pelos pés! As “177 Maneiras de Enlouquecer uma Mulher” não estavam com nada! Não fosse seu preconceito contra chulé, teria lhe descalçado as botas naquela noite e declarado veneração integral a ela, tiazinha!

 



Escrito por Nheçu às 15h02
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O amor chega e vai, sem avisar

João Weber Griebeler

Conheceu-a num dia de julho. Ela iniciava faculdade e fazia curso de inglês. Pegou seu endereço. Há poucos meses ficara órfã de mãe e manifestava esta carência de proteção, que acabou sendo uma das tônicas de seu relacionamento.

A amizade foi se construindo ao longo dos meses. Fotos das férias de adolescente em Ouro Preto, no clube de camping (quando a viu de biquíni pela vez primeira), fitas K-7 (Ivan Lins cantava: “Quero sua alegria escandalosa vitoriosa; a por não ter vergonha de aprender como se goza”) e cartões, muitos deles.

Com salto, ficava mais alta do que ele. Os longos cabelos encobriam o beijo prolongado. Cinco minutos comungando saliva no compasso de Joanna cantando “charminho doce diz a frase certa; só mais uma vê; amanhã talvez...”

Recebeu convite para sua formatura. Por azar, coincidia com o dia seguinte às eleições municipais. Não compareceu. Por civismo e, descaso, ao mesmo tempo. Sua falha mais grave. Outras haveriam de se avolumar nos meses sucessivos. Já tinha sido imperdoável não comparecer em Florianópolis. A turma era ótima. Amigas bonitas, até demais!

Janeiro ficou tacitamente gravado em suas lembranças como o mês das omissões dele. A ligação telefônica interrompida, que ocasionou desencontro e a amarga devolução da passagem; a frustrada viagem no verão seguinte, quando já se fazia finalizar tudo que existiu.

Não foram mais os mesmos. Em determinado momento, algo se rompeu. Epílogo amargo, sensação de derrota irreversível e uma sábia experiência: “nunca dê os parabéns a uma mulher por outro a ter conquistado. Talvez ele não exista e você, acabe perdendo para você mesmo!”

Hoje, na madrugada do sábado, a tela do computador quase às escuras, refaz o itinerário destas recordações, que deixaram apenas uma indefinida sensação de erro. Da rua, o reflexo da lâmpada ilumina numa réstia de luz o copo de bebida. Apenas o gelo. O demais, acabou.



Escrito por Nheçu às 16h12
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