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Dica de Leitura

O homem que via o trem passar, do escritor Georges Simenon (Liège, Bélgica, 13/02/1903 - Lausanne, Suíça, 05/09/1989), relançado pela Editora Nova Fronteira, dentro das comemorações do seu 40o aniversário: 40 Anos - 40 Livros, obra clássica da literatura do século 20, onde acompanhamos o agora resoluto Popinga em suas vibrantes descobertas de novos mundos. O livro deve ter sido realmente revolucionário para o ano em que foi lançado, 1938, às vésperas da 2a Guerra Mundial, falando de sexo e fixação pelas tias da zona, numa época recatada, pois muitos dizem que a liberdade sexual e a exposição dos corpos vieram após o conflito, onde se verificava que a moral valia muito pouco em troca de um prato de comida na Europa devastada pelas bombas, de poucos homens válidos e muitas mulheres carentes. 

 

O fiel marido e zeloso funcionário senhor Kees Popinga sente seu mundo conhecido lhe escorrer por dentre os dedos ao encontrar seu patrão num boteco, embriagado e falante, que lhe confessa estar falido, que investira mal nos negócios, que vai fugir, que sustentava Pamelha exclusivamente para si em Amsterdã, ela, que era uma garota de bordel, que tinha batido o ponto na boate da cidade deles, Groningen, na Holanda, e pela qual Kees tinha suspirado secretamente. Mais, que ele, Kees, poderia ser corno, pois sua filha de tez morena, era diferente dele, loiro, já que ele mesmo, o patrão, era chifrado pela esposa com o médico!

Todo esse cinismo esfrangalha o rotineiro Kees e este, em poucas horas, decide tomar o trem noturno que ele via passar de forma misteriosa, como condutor de seus mais tenebrosos desejos e parte para Amsterdã, para encontrar Pamela, residindo ai a meada condutora da história; pois o livro pode ser lido de muitas maneiras, mas persiste em demasia o trauma sexual do personagem Popinga, que chegando em Amsterdã, vai ao hotel em busca do objeto de seus desejos. Ela o espicaça e ri de sua tentativa de a possuir. Popinga a mata e inicia então sua trajetória na vida como o personagem de destaque que nunca fora, perseguido pelas forças policiais de toda a Europa e sendo manchete nos jornais.

Uma glória para quem padecia de impotência sexual, evidenciada quando em Paris, vai para um hotel com outra prostituta, Jeanne Rozier (que aliás, acaba assumindo um desusado papel em sua vida errante) e não experimenta tesão algum, ficando a dormir. Depois que a vai conhecendo, começa a ter pensamentos libidinosos a seu respeito e a agride quando esta o rechaça em aproximação amorosa, evidenciando o trauma sexual do personagem, que já com a 3a prostituta, uma magrela feiosa, apenas dorme. O tema ainda traz lances de xadrez, o jogo dos poderosos, onde se controla e sacrifica alguns elementos de menor importância para ganhar. Bom, o melhor é ler a narrativa, que é empolgante e de apenas 200 páginas.

 

Simenon leva consigo uma série de lendas, principiando por aquela propalada por ele mesmo, que o diz sedutor e devassador de milhares de alcovas femininas, tendo transado com mais de 10 mil mulheres, com cerca de 8 mil delas prostitutas (ele conhecia o métier do trottoir!), que redigia uma história em onze dias, tendo escrito 420 livros, sendo 84 deles com o Inspetor Maigret, que foram traduzidos para mais de 100 idiomas, vencendo acima de 600 milhões de exemplares no mundo inteiro. 

 



Escrito por Nheçu às 05h42
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Resenha

Contos Tradicionais do Brasil, de Luís da Câmara Cascudo (Natal (RN), 30/12/1898 - Natal (RN), 30/061986) apresenta para o Brasil e o mundo a riqueza contida na tradição oral popular. Sabe-se que a autêntica poesia, rimada e com musicalidade, assim como as breves histórias, os causos de aventuras miraculosas e fantásticas, provém do imaginário popular iletrado, mas mestre em cativar os espectadores pela narrativa, daí a beleza destes Contos Tradicionais reunidos por Câmara Cascudo.

A obra data do ano de 1946 e destacamos aqui algumas das histórias que nos chamaram a atenção: eu cresci ouvindo parte destas “Seis aventuras de Pedro Malazarte”, travesso herói popular e foi uma alegria reencontrar elas aqui registradas!

Um dos meus tios, o que melhor se exprimia no idioma português, falava no “Bicho Folharal”, até acabou tachado de algo maluco. Agora vejo que a história é rara no mundo inteiro e existiu mesmo...

“O Compadre da Morte” trata das espertezas para prolongar a existência, até que ela, comadre, chega! Já o conto “O Afilhado do Diabo” é uma narrativa mais leve.

Segundo Cascudo, “as histórias populares não acabam em tristeza e tragédia.”. A lição do “Chapelinho Vermelho” é para as mocinhas devem evitar conversa com estranhos de falas doces e amáveis. Enfim, artimanhas masculinas existentes há milênios acasalar com as donzelinhas. 

O autor - Considerado uma autêntica Enciclopédia Ambulante, o potiguar Câmara Cascudo lia um livro por dia (pelo visto, passava do sumário e da apresentação da obra, para assimilar tantos conhecimentos!), tendo sua imagem virado cédula de dinheiro, com a emissão da nota de 50 mil cruzeiros (1990).

 



Escrito por Nheçu às 05h41
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